Perspectivas do setor sucroalcooleiro para os próximos cinco anos

quinta-feira, 17 de maio de 2007



A safra 2007/2008 vai contar com 382 plantas de açúcar e álcool, 39 das quais estarão fazendo a sua primeira safra em 2007. Para 2008 se prevê a partida de mais 30, para 2009 o setor anuncia mais 26 unidades, duas para 2010 e uma para 2011, fora 43 projetos anunciados e que estão sem data de implantação, dependendo da aprovação da licença ambiental ou de financiamento.

Os estados favorecidos pelos novos investimentos são: São Paulo com 42 projetos; Goiás com 34 novas usinas e Minas Gerais com 26 projetos. Estes três estados concentram 72% dos novos investimentos. Há ainda 13 projetos anunciados para o Mato Grosso do Sul, 6 para o Paraná, 4 para o Mato Grosso, 3 para Rio de Janeiro, 3 para o Tocantins, 2 para o Espírito Santo, 2 para a Bahía, 2 para o Piauí, 1 para Rondônia, 1 para o Sergipe e 1 para o Acre.

A tecnologia de automação e controle a ser implantada nestes 140 projetos está consagrando algumas tendências:

  • O velho e conhecido 4 a 20mA, com PLC no comando e operação e display baseados em computadores, não está morto como equivocadamente sustentam algumas empresas alheias ao setor sucroalcooleiro. Quase a metade dos novos investimentos vai ser implantada com esta arquitetura.
  • É notório o avanço e a aceitação que começam a ter os buses digitais para o chão de fábrica, com destaque para a tecnologia Profibus, que provê comunicação com a parte elétrica da planta e permite ao operador manejar o acionamento não só da instrumentação da planta, como também as etapas de parada, partida e regulagem de velocidade dos motores da planta.
  • A entrada dos investidores estrangeiros e de grupos não tradicionalmente açucareiros traz consigo o conceito da tecnologia da informação (TI), que defende a operação das plantas numa sistematização cada vez mais exigente da informação. O setor sucroalcooleiro se mostra disposto a utilizar amplamente ERP’s, MES e PIMS.
  • A Smar está contribuindo ativamente para a introdução das novas tecnologias de controle através do lançamento da sua família de CPU’s e de uma nova geração de instrumentos de campo, inteligentes e capazes de se comunicar em rede, fornecendo informações que vão além do simples valor da variável que está sendo medida e controlada. Instrumentos inteligentes informam falhas deles próprios, assumem estratégias de posição segura de falha, acionam sistemas de parada e partida, contam o número de vezes que um determinado elemento de controle final aciona e colocam mensagens nas telas das estações de trabalho dos operadores. A comunicação da sala de controle tem agora duas mãos: do operador para o chão de fábrica e deste para a sala de controle na forma de mensagens que transitam pelos buses de comunicação.
  • Destaque especial, dentre as novas tendências, para a aceitação que está tendo a utilização do COI, Centro de Operações Integradas. Há um par de anos seria quase impossível convencer os gerentes do processo de que a centralização das operações de uma usina ou destilaria poderia ser uma coisa cômoda, prática e confiável. A Usina Santa Elisa e a Smar deram uma corajosa demonstração de eficiência e de domínio da tecnologia quando centralizaram todas as operações de uma planta que mói 28.000 toneladas de cana por dia numa única sala de controle (carinhosamente chamada de NASA pelos 37 operadores que operam este gigante). Os equipamentos da destilaria, por exemplo, se encontram a 350 metros do COI. A Santa Elisa está iniciando a sua terceira safra com o COI e provou para quem quiser ver a eficácia e a segurança que este recurso proporciona. As 140 plantas vêm para ficar, gerar milhares de empregos e dar fôlego a todas as empresas que produzem equipamentos e serviços para a indústria sucroalcooleira, com duas vantagens enormes sobre a expansão do Proálcool: desta vez o empreendimento é privado, liderado por empresários modernos e competentes, que jogam as leis do mercado, e desta vez, existem alternativas tecnológicas brasileiras e de altíssima qualidade para toda e cada uma das partes das novas plantas.
Depoimentos
“O equilíbrio virá a médio prazo com a abertura de novos mercados para o álcool”. Jairo Balbo é Diretor Industrial da Usina São Francisco
“Outros mercados internacionais estão de olho em nosso produto”. Laudemir José Barros Mendes é Eng. Mecânico e Superintendente Industrial - NE
“Capital não tem Pátria”. Eduardo Valença é Diretor Industrial da Usina Trapiche