Laudemir José

segunda-feira, 21 de maio de 2007




Laudemir José Barros Mendes é Eng. Mecânico e
Superintendente Industrial - NE

Novo cenário sucroalcooleiro brasileiro
Muito promissor. O aquecimento global produzido em grande parte pelos combustíveis fósseis, pela sua escassez e seus aumentos no mercado internacional, tornou necessários os investimentos em bio-combustíveis, principalmente o etanol e a energia renovável proveniente do bagaço de cana. Cada vez mais os países ricos se comprometem em reduzir emissões de gases poluentes que aumentam o efeito estufa e se rendem ao Brasil, que hoje ocupa uma posição privilegiada no contexto mundial, dominando toda a tecnologia e com o menor custo de produção do mundo. Deve-se lembrar também a criação de milhões de empregos que irão surgir

Investimento em expansões
O fator primordial é o crescimento agrícola e o compromisso cada vez maior e mais exigente com relação à qualidade de nossos produtos para nossos clientes, principalmente nas unidades de Minas Gerais, visto que 90% de nossa produção é exportada.

Risco de superprodução e queda de preços
Em minha opinião não há risco, mesmo os EUA não abrindo mão das alíquotas de importação do álcool brasileiro, outros mercados internacionais estão de olho em nosso produto. A união Européia, por exemplo, se propôs a substituir até 2010, 20% de sua energia por fontes renováveis. O Japão de imediato passará a adicionar em sua gasolina 2% e posteriormente 5% de etanol, lembrando também que o desenvolvimento mundial de uma frota flex é cada vez maior. O Brasil, para atender toda esta demanda a curto e médio prazo, deve triplicar sua produção, que hoje é de 17,3 bilhões de litros, não havendo outros países no curto prazo que possam competir conosco, tanto pelo baixo custo de produção, quanto pelo domínio da tecnologia.

Criação de um estoque regulador
É uma questão delicada. Ao ser criado um estoque regulador corre-se o risco das unidades produtoras ficarem reféns de uma entidade. Por outro lado, garante-se o abastecimento aos consumidores de álcool combustível. Porém, para se cumprir novos contratos para o exterior, o Brasil deve se organizar, mas não necessariamente na mão de um único órgão regulamentador.

Alcoolduto para o escoamento da produção de etanol
A questão logística é de fundamental importância para o setor sucroalcooleiro. Com a construção de novas unidades nas Regiões Central e Sul do país, há a necessidade da implantação de alcoodutos para se ter um produto cada vez mais competitivo no mercado. Temos hoje o menor custo de produção e o maior custo de logística do mundo. O setor precisa de uma política séria e com planejamento estratégico, evitando assim o imediatismo e o oportunismo. Devemos lembrar ainda o cuidado no tocante aos produtos escoados, visto que, para álcoois especiais, corre-se um risco muito grande de contaminação, tornando-se impraticável seu escoamento por alcoodutos.

Fusões, aquisições e incorporações no setor
É positiva. As fusões já são praticadas há muito tempo. Por exemplo, o grupo COSAN, fundado em 1986, hoje tem 17 unidades industriais, abrindo seu capital e se valorizando em mais de 100% desde 2005. As aquisições e incorporações também. Deve-se apenas ter cautela e um estudo detalhado e criterioso de viabilidade. Acho positvo, pois além dos investimentos chegarem com novos horizontes tecnológicos e sociais, teremos uma consolidação definitiva do setor e do mercado, que atualmente está muito pulverizado, ganhando assim credibilidade junto aos compradores externos para barganhar preços melhores por seus produtos.

Investimentos / grupos estrangeiros
Vejo por um lado com muita cautela. O interesse está surgindo depois do crescente aumento nas exportações e dos preços do açúcar e do álcool no mercado externo. O que nos espera no futuro? Qual a verdadeira intenção após obterem toda nossa tecnologia? Por outro lado, abre-se o capital para o país, criam-se expectativas de muitos empregos, novas tecnologias e novas pesquisas no setor.

Ações de sustentabilidade ecológica - plantio, irrigação, colheita e processamento
Dentre outros, temos o gerenciamento de resíduos, a educação ambiental, a adição de novos equipamentos, inovações nos processos de plantio e colheita, redução do uso de queimadas, utilização de novos insumos menos impactantes na lavoura, redução de CO2 e particulados na atmosfera, utilização na fertirrigação da água de lavagem de cana e da vinhaça, e por último, a participação da comunidade, para conscientização e capacitação de líderes no desenvolvimento do agronegócio da cana-de-açúcar.

Pesquisas
Desenvolvimento em novos produtos, minimizar as perdas industriais e agrícolas, e investimentos em novas variedades de cana com adequação a cada região. Prioridades nos setores agrícola e industrial Na área industrial: a) Melhorar a capacitação e a qualificação técnica de nosso pessoal; b) Investir em novas tecnologias e automação, para redução de custos de produção e manutenção; c) Mais integração entre os setores da empresa, voltada mais ao social. Na área agrícola: a) Investir em novas tecnologias para aumento da produtividade agroindustrial e consequentemente, a rentabilidade do setor; b) Investir em novos desenvolvimentos de variedades de cana, com o objetivo de aumentar kg de pol por hectare de cana c) Estabelecer novas políticas públicas e privadas, no tocante ao equilíbrio sócio-ambiental e ecológico do setor.

Investimento no setor de controle e automação
No Nordeste estamos hoje na faixa de 4% e no Sudeste em torno de 8%. Sobre a Smar e a automatização dos processos que ela promove A evolução e a prosperidade no setor sucroalcooleiro vem trazendo empresas cada vez mais parceiras e competentes no que fazem, e no que se propõem a fazer, trazendo soluções tecnológicas com alto grau de responsabilidade e confiabilidade. Com a smar não é diferente; empresa com profissionais qualificados e aplicações cada vez mais interessantes. É parceira de muitos anos do grupo João Lyra, trazendo soluções de controle e automação de ponta para o nosso dia-a-dia, não somente no calor do imediatismo, mas num planejamento estratégico de médio e longo prazo, visando sempre melhoramentos contínuos em todo processo da fábrica, sempre em conjunto com nosso corpo técnico. Por isso continuamos parceiros até hoje.